22 de ago de 2011

Crônicas do dia a dia: Apenas por educação


Era um domingo de manhã, e eu acordei cedo. Pra que? Pra nada. Apenas por que não consigo acordar muito tarde. Quando consigo, tenho uma dor de cabeça chata. Deitei no sofá e fiquei ali uns quinze minutos olhando meu pai andando de um lado para o outro pegando as coisas, e acabando de se arrumar. Não sabia se para a escola, ou pra o segundo trabalho dele. Ele me deu tchau e saiu. Eu fui tomar café e ajudar minha mãe na cozinha, depois.

Como meu irmão está impossibilitado, as tarefas que antes eram dele, eu tenho que fazer. Enquanto eu trabalhava, ele ligou o computador e por lá ficou. Quando finalmente consegui usar, lembrei que o namorado estava fazendo prova. Mentalizei “boa sorte” e fiquei jogando tempo fora aqui. Li minha lista de blogs, joguei, fiquei jogando conversa fora. Decidi que ia arrumar meu quarto. Comecei pegando as folhas de papel espalhadas em todo canto. Na hora que o telefone começou a tocar Sweet Child O’Mine, eu achei um teste de Sociologia que fiz em outra turma, com uma matéria que ainda não era minha. Fiz só pelas músicas. Lembrar de sociologia, me faz lembrar das aulas e do professor. Eram aulas divertidas, onde além da matéria a gente falava de música, música e outros assuntos. Quando acabou de togar Guns, começou a tocar Chelsea Girl. Uma música do Velvet Underground: banda que, além de mim, a única pessoa que eu conheço que conhece – e gosta – também, era o professor. Bateu uma nostalgia e saudades do meu segundo ano: desde na sala de aula, à bagunça indo pra casa.

Minha mãe me chamou, e pra variar, não acabei de arrumar o quarto. Quando voltei pra lá, estudei um pouco de inglês e deitei na cama pra ficar jogando. Fui almoçar. Quando acabei, vi televisão, e fui deitar vendo Photograph no celular, até apagar de vez. Enquanto eu estava dormindo, o namorado chegou em casa e ligou. Quando acordei fui ver televisão. Era o que restava. Me avisaram que ele ligou, e liguei de volta. Perguntei se ele viria, ele disse que talvez. Que lá para sete e meia chegava. Deu oito horas e nada. Liguei e ele não ia poder vim. Eu iria pra lá. Já eram oito e meia da noite, e eu ainda estava com a roupa que dormi: estava tão confortável. Decidi eu ia jogar um casaco por cima e por uma calça jeans. Como a blusa era grande, ajeitei para que ela ao aparecesse e fui.

Chegar na rua: fácil. Chegar à esquina: nem tanto. Atrás do bairro, tem um lugar bem macabro de noite. É lá que acontecem as coisas mais macabras. Até aí, tudo bem por que tinha um muro no fim da minha rua, dividindo isso. Até o dia que eu cheguei em casa e não tinha mais muro. Lá atrás é tudo muito escuro, apenas as luzes das casas lá no fim, quase no outro bairro. A rua da frente também estava deserta. E a rua principal, também. Tinha uns três bares abertos e pouca gente na rua. Um carro muito escuro passou por mim, e eu medrosa como sou, quis sair correndo. Mais a frente, um motoqueiro falando ao telefone passou por mim me olhando com cara de pervertido, eu já estava chegando e quase saí correndo. Quando cheguei e chamei, uma cara entrou na rua. Quando eu olhei para a esquina, ele disse:

- Olá.

Eu olhei pra um lado, pro outro e concluí que: ou ele estava falando comigo, ou era louco. Concluí que era educado.

- Oi.

- Tudo bem?

- Tudo.

Apenas isso. Ele me cumprimentou enquanto passava e passou.

Entrei e fiquei no quarto enquanto ele arrumava o quarto e implicava comigo. Depois fomos ver um filme. Antes do filme acabar tive que ir pra casa e fui.

Depois disso, esperei uma ligação. Me ajeitei e dormi.

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