24 de ago de 2011

Um pouco de saudades






Eu queria escrever. Não significava que eu sabia sobre o que. Gosto de lembrar o meu passado, pensar no meu futuro e essas coisas todas.

Esses dias me peguei pensando nos meus 12 anos. Eu tinha acabado de começar um curso de inglês e toda segunda e quarta ia pra lá. Fiz amizades super bacanas no curso. Até que um certo dia, indo pra lá peguei ônibus com um rapaz que na época considerei lindo. Lembro até hoje: eu era a única passageira, estava de calça branca, e ele estava cantando – uma música que ele inventou, e a música dizia o nome dele – e jogando algo cheiroso no chão do ônibus: ele quase jogou – seja lá o que era – na minha calça. Ele ficou vermelho e me pediu desculpas. Eu apenas ria. Esse era o início de uma longa viajem.

Naquele dia eu saí mais cedo de casa. Quando o vi, decidi sair mais cedo todos os dias: não me atrasava e ainda me divertia. Ele, era um cara divertido, que sempre me fazia rir, e as vezes me assustava, como quando ele brigou com as criancinhas que faziam bagunça. E quando ele inventou que tinha uma noiva, por que o garotinho disse que ele era meu namorado: eu fiquei vermelha de vergonha, e pensando nisso um dia. Esse sonho se desmanchou quando certa vez ele disse que ia a uma micareta apenas para beijar na boca. Mas ainda assim eu era apaixonada por ele. Coisa de criança, mas era.

O que mais me encantou nele, foi a simpatia: o que o fez minha mãe se simpatizar de imediato com ele. Se eu fosse escrever tudo que eu vi, todas as loucuras que ele fazia, sairia um livro quem sabe.

Por que eu estou escrevendo sobre ele, eu não sei. Apenas lembrei. Lembrei que um dia ele me pediu pra traduzir a frase: “The big Love of my life are you”, mas ele disse tão rápido e eu tinha entendido as palavras big, life e love, que fiquei meio nervosa e não consegui traduzir. Quando fui embora, ele simplesmente gritou – aos quatro ventos – a tradução: Você é o grande amor da minha vida. Eu não soube como reagir. Pensei até em falar pra ele que, lá dentro eu sentia alguma coisa sobre ele. Mas, acho que ele sabia que não nos veríamos mais. Depois desse dia, nunca mais o vi. Com o tempo o esqueci. Hoje, ele não passa de lembranças. De boas lembranças. Lembranças que me rendem ótimas memórias, boas risadas, um pouco de saudade e de alguma forma, me dá uma paz lá dentro. Como se eu me esquecesse de todos os problemas e ficassem apenas as coisas boas.

Aí é que eu me lembro que uma vez minha mãe disse que há pessoas que passam em nossas vidas para deixar lembranças, coisas boas. E que essas pessoas são como anjo. Aparecem, fazem uma parte de nossas vidas extremamente boas. Quando elas vão embora, elas não vão embora totalmente. Você nunca mais as vê. Apenas as sente. E sente como se às vezes elas tivessem ali, com você. Trazendo de volta todas aquelas lembranças quando é necessário, nos fazendo rir nos momentos mais tristes, nos fazendo lembrar na hora certa.

Eu acho que ele foi uma dessas pessoas. Que sempre que estou triste, vem algum momento na minha cabeça e me faz sorrir e ver que eu tenho que continuar.

Antes de escrever esse texto, senti algo estranho dentro de mim. Senti que tinha que começar a escrever. Quando me dei conta, estava no final, lembrando dele, escrevendo sobre ele e perdida nas memórias – e em algumas lágrimas. Acho que tudo que eu quero agora, é que ele esteja bem. Onde quer que ele esteja.

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